Atuação da Eletrolipólise na Lipodistrofia

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A lipodistrofia está cada dia mais presente devido ao sedentarismo, maus hábitos alimentares e alterações posturais.

O tecido adiposo é formado por células chamadas adipócitos. Encontra-se de forma isolada ou em pequenos grupos no tecido conjuntivo, ou ainda agrupadas em grandes áreas do corpo, como no tecido subcutâneo. O tecido adiposo apresenta dois tipos de tecido: o tecido adiposo comum amarelo ou unilocular, pois quando suas células estão completamente desenvolvidas, apresenta apenas uma gotícula de gordura no citoplasma, e o outro é o tecido adiposo pardo, formado por células que contém numerosas gotículas de lipídios, conhecido como tecido adiposo multilocular (DANGELO & FATTINI, 2004; SAMPAIO & RIVITTI, 2001).

A adiposidade localizada constitui-se de acúmulos em áreas específicas de células gordurosas, resistentes a exercícios físicos e dietas alimentares (GUIRRO & GUIRRO, 2002).

A eletrolipólise é uma técnica para tratamento das adiposidades e acúmulo de ácidos graxos localizados (ASSUMPÇÃO et al., 2006). Caracteriza-se por aplicações de microcorrentes de baixa frequência (em torno de 25 Hz) que atua diretamente no nível dos adipócitos e dos lipídeos acumulados que, consequentemente, produz uma destruição favorecendo a sua eliminação (SORIANO et al.,2000). Pode ser aplicada com eletrodos transcutâneos ou agulhas introduzidas no panículo adiposo. Segundo Guirro e Guirro, a aplicação transcutânea não tem sua eficácia comprovada.

São utilizadas agulhas de acupuntura (de aço inoxidável) que podem variar de 7,5 cm a 15 cm com 0,30m de espessura (Borges, 2006). Essas agulhas se ligam a corrente de baixa intensidade, criando um campo elétrico entre elas, desta forma elas sempre são introduzidas em pares (um polo negativo e um polo positivo) com uma distância entre elas de 5 cm. O campo elétrico promove uma modificação no meio intersticial, favorecendo as trocas metabólicas e ainda, a lipólise (Borges, 2006).

Segundo Borges (2006), os principais efeitos fisiológicos proporcionados pela eletrolipólise são:

– Efeito Joule: a circulação da corrente elétrica provoca uma vasodilatação com aumento de fluxo sanguíneo local, estimulando o metabolismo celular local, queimando calorias e melhorando o trofismo celular;

– Efeito Eletrolítico: a corrente na eletrolipólise induz movimentos iônicos que modificam a polaridade da membrana e, desta forma, essa mudança consome energia em nível celular;

– Efeito Estímulo Circulatório: o efeito Joule é o que contribui através da vasodilatação para o estímulo da circulação. A microestimulação elétrica favorece também a drenagem linfática;

– Efeito neuro-hormonal: a corrente produz uma estimulação artificial do sistema nervoso simpático e como consequência, ocorre a liberação de catecolaminas com aumento da AMP cíclico intra adipocitário e aumento da hidrólise dos triglicerídeos.

O estímulo circulatório é de grande importância na drenagem da área. A lipólise ocorre direta ou indiretamente pela excitação das terminações nervosas simpáticas e liberação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) que atuam sobre os receptores do adipócito e estimulam a enzima que potencializa a lipólise dos triglicerídeos em glicerol e ácidos graxos (Borges, 2006).

As agulhas são introduzidas a 90°, fazendo uma prega cutânea para que atinja o panículo adiposo, sendo a puntura indolor. A distância entre as agulhas é de cerca de 5 cm. Após a introdução das agulhas conectamos os eletrodos do tipo jacaré, que podem ser fixados com esparadrapos para que não se corra o risco de as agulhas mudarem de posição no tecido em virtude do tracionamento exercido pelos fios do eletrodo.

A frequência da corrente oscila normalmente entre 5 e 50 Hz e a duração da sessão dura em torno de 60 minutos. A intensidade varia entre 2 mA e 10mA.

É importante que após a sessão seja feita atividade física aeróbica.

Podemos complementar o tratamento com carboxiterapia, drenagem linfática manual, ultrassom, entre outros.

Como qualquer outra técnica esta deve ser realizada com responsabilidade e com preparo técnico para isso.

Referências bibliográficas

Garcia PG, Garcia FG, Borges FDS. O uso da eletrolipólise na correção de assimetria no contorno corporal pós-lipoaspiração: relato de caso. Rev Fisioter. Ser. 2005;5(8):20-1. 7.
Florindo AAM, Latorre MRDO, Jaime PC, Tanaka T, Zerbini CAF. Metodologia para a avaliação da atividade física habitual em homens com 50 anos ou mais. Rev Saúde Pública. 2004;38(2):307-14.
Melo NR, Monteiro FMAC, Reinaux Pontes GAR, Mello SMB. Eletrolipólise por meio da estimulação nervosa elétrica transcutânea (Tens) na região abdominal em pacientes sedentárias e ativas. Fisioter Mov. 2012 jan/mar;25(1):127-40
ASSUNPÇÃO, A.C.; SOUZA, A.; MAXIMO, L.; CARDOSO, M. C.; BORGES, F. S. Eletrolipólise. In: Borges, F.S. Dermato-funcional: modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. São Paulo: Phorte, 2006
SORIANO, M.C.D.; PÉREZ, S.C.; BAQUES, M.I. Electroestética profissional aplicada: teoria e practica para La utilización de corientes em estética. Espanha: Sorisa, 2000.
DÂNGELO, José Geraldo; FATTINI, Carlos Américo. Anatomia humana sistêmica e segmentar. 2° edição São Paulo: Atheneu, 2004.
GUIRRO, Elaine; GUIRRO, Rinaldo. Fisioterapia dermato-funcional. 3 ed. Barueri-SP: Manole, 2004.

Dra. Paula França Coordenadora Pedagógica do Ibeco. Fisioterapeuta Dermatofuncional. Líder Coach.

Dra. Paula França
Coordenadora Pedagógica. Fisioterapeuta Dermatofuncional. Líder Coach.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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