Microagulhamento: quão agressivo deve ser?

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A técnica de Microagulhamento ou Indução Percutânea de Colágeno está ganhando cada dia mais espaço no mercado da estética.

Por ser uma técnica pouco invasiva e que não provoca desepitalização total da pele, mantém a pele com uma menor perda da hidratação e não há necessidade de down time (a pessoa não precisa se afastar das atividades diárias).

Ok! Então é uma técnica tão “queridinha” por manter a pele mais íntegra e sem tanto efeitos visuais que desfavorecem a rotina de vida diária?

Sim, mas infelizmente o que temos visto por aí não é bem isso… Nas redes sociais vemos inclusive, procedimentos de microagulhamento com grande sangramento e até hematomas no pós-procedimento. E isso ocorre pelo excesso de “achismo” e por falta de fundamentação técnico-científica.

É bastante comum observarmos os hematomas na região de fronte, olhos e nariz por não haver adaptação da pressão por parte do profissional durante a aplicação da técnica.

Pois bem, vamos às bases científicas…

A indução percutânea de colágeno (IPC), como foi denominada, inicia-se com a perda da integridade da barreira cutânea, tendo como alvo a dissociação dos queratinócitos, que resulta na liberação de citocinas como a interleucina -1α, predominantemente, além da interleucina-8, interleucina-6, TNF-α e GM-CSF, resultando em vasodilatação dérmica e migração de queratinócitos para restaurar o dano epidérmico (Bal et al, 2008) e, posteriormente, pelas 3 fases de processo inflamatório que é a base e justificativa fisiológica dos resultados do microagulhamento.

O microagulhamento é um procedimento técnico dependente e o domínio da técnica está diretamente ligado ao resultado alcançado. Lima et al em 2013, diz que “A pressão vertical exercida sobre o roller não deve ultrapassar 6N, pois força superior poderá levar a danos em estruturas anatômicas mais profundas e mais dor que o esperado. Recomenda-se posicionar o aparelho entre os dedos indicador e polegar como se estivesse segurando um háshi e controlar a força exercida com o polegar. Os movimentos de vai e vem devem guiar-se por padrão uniforme de petéquias em toda a área tratada. Para isso, entre 10 e 15 passadas numa mesma direção e pelo menos quatro cruzamentos das áreas de rolagem parecem ser suficientes. Teoricamente 15 passadas permitem dano de 250-300 punturas/cm2.”

O sangramento é natural, visto que atingimos a derme que é altamente vascularizada, mas este deve ser um sangramento controlado e não excessivo. É comum e imprescindível o aparecimento de petéquias como cita Lima et al (2013) no trecho que segue “…a espessura da pele tratada e o comprimento da agulha escolhida. Sendo assim, a pele mais fina e frouxa, comumente fotoenvelhecida, apresentará padrão uniforme de petéquias mais precocemente do que a pele espessa e fibrosada, observada em pacientes com cicatrizes de acne, por exemplo. Sendo assim, a escolha do comprimento da agulha está na dependência do tipo de pele a ser tratada e do objetivo final do procedimento. Não temos até o momento classificação que relacione o comprimento da agulha dos aparelhos utilizados para microagulhamento com a profundidade do dano previsto com esse tratamento.”

O sangramento é diretamente proporcional à injúria provocada e esta é classificada como leve, moderada e profunda, sendo provocada conforme o trauma planejado e estando relacionada ao tamanho da agulha e a pressão realizada durante o procedimento.

Resumindo… Sangramento controlado SIM, sangramento excessivo NÃO! Petéquias, hiperemia e edema SIM (afinal fazem parte do processo inflamatório que almejamos neste procedimento), hematomas NÃO!!!!

Tratamentos baseados em conhecimento técnico-científico, com amplo conhecimento de fisiologia humana, só tende a resultados positivos. 

Procedimento de Microagulhamento

Referências

Cohen KI, Diegelmann RF, Lindbland WJ. Wound healing: biochemical and clinical aspects. Philadelphia: W.B. Saunders Co; 1992.
Bal SM, Caussian J, Pavel S, Bouwstra J A. In vivo assessment of safety of microneedle arrays in human skin. Eur J of Pharm Sci. 2008; 35(3): 193-202. 7.

Dra. Paula França
Coordenadora Pedagógica do Ibeco. Fisioterapeuta Dermatofuncional. Líder Coach.

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